Greve dos caminhoneiros entram no seu quarto dia; diversos postos do Estado estão sem gasolina
A greve dos caminhoneiros já entra no seu quarto dia hoje, 24, manifestações contra o alto preço dos combustíveis.
Segundo a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que lidera os protestos dos profissionais autônomos em todo o país, a greve só será suspensa com a publicação no Diário Oficial da decisão do governo de zerar a alíquota das contribuições PIS/Cofins e Cide para o diesel. Depois de decidirem, nesta quarta-feira, 23, manter a greve que obstrui estradas em ao menos 11 estados brasileiros, os caminhoneiros voltarão a se reunir com o governo do presidente Michel Temer (MDB) nesta quinta-feira, às 14h.
Além de falta de gasolina e problemas no transporte, paralisações afetam diversos setores da economia: Correios atrasam entrega, aéreas têm problemas.
Governo do Estado
O governo do Tocantins informou que realizou uma reunião de emergência com representantes da Assembleia Legislativa, Polícia Federal, OAB, Defensoria Pública para discutir estratégias para lidar com a crise. O grupo quer garantir o abastecimento de carros das forças policiais, as ambulâncias e as viaturas do Corpo de Bombeiros.
Consequências
Por causa do protesto, já começou a faltar combustíveis em postos de Palmas e do interior. Como os caminhões-tanque estão impedidos de chegar ao destino, o estoque de muitos estabelecimentos está comprometido. Com medo de não pode abastecer, muitos condutores têm procurado os postos, formando filas imensas de veículos.
O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis (Sindiposto), Wilber Silvano, afirmou que os caminhões não estão conseguindo chegar à base de distribuição da Petrobras, localizada em Porto Nacional, e, como consequência, os postos estão enfrentando desabastecimento. "Ninguém tem grandes estoques", explicou.
Os supermercados também já começam a sentir os efeitos da paralisação dos caminhoneiros. Sem que possam renovar os estoques, alguns estabelecimentos estão com as prateleiras parcialmente vazias.
Outro serviço também prejudicado é o dos Correios. Segundo a empresa, desde a última segunda, as remessas postais e de encomendas de outros estados não estão chegando regularmente em Palmas, Araguaína e Gurupi. Com o bloqueio no entorno destas cidades, os Correios estão encontrando dificuldades para escoar a carga estadual para os demais municípios do Tocantins.
Reivindicações
Os caminhoneiros pedem mudanças na política de reajuste dos combustíveis da Petrobras (medida que o governo refuta) e redução da carga tributária para o diesel (que está em negociação).
A nova política de reajustes, adotada pela Petrobras em julho do ano passado, é bem-vista por investidores por acompanhar o padrão adotado em outros países. Alterá-la agora seria interpretado como intervenção do governo na estatal.
Com essa nova política, os valores dos combustíveis sofrem alterações diárias que acompanham a cotação internacional do petróleo e a variação do câmbio.
Como o dólar e o preço do óleo tiveram repiques, o valor do diesel saltou. Em um mês, o litro do diesel na bomba subiu 4,9%, de R$ 3,42 para R$ 3,59, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo).


